MELHORES MÚSICAS / MAIS TOCADAS
vieira e vieirinha - passa morena
Passa morena passa
Debaixo da verde rama
Passa morena passa
Debaixo da verde rama
Quando passa dá um suspiro
Quando suspira me chama
Vida triste é de quem ama
A maré do mar baixou
Fiquei brincando na areia
A maré do mar baixou
Fiquei brincando na areia
Se namorá fosse crime
Eu morava na cadeia
Não namoro moça feia
Eu vi uma moça bonita
Debruçada na janela
Eu vi uma moça bonita
Debruçada na janela
Ela é muito luxenta
Eu quero casar com ela
Eu sustento o luxo dela
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
vieira e vieirinha - assombração
Me contou José Raimundo, pescador de profissão
Escuitei a sua história com muita admiração
Diz que lá no poço fundo pega peixe de montão
Mas dentro da capoeira
Na noite de sexta-feira aparece assombração
O caboclo me falou sem tirá o zóio do chão
Mas eu não acreditei, não caio em tapeação
Eu virei, disse pra ele, quer ver esse bichão
Vou pescar no poço fundo
Porque arma do outro mundo eu não acredito não
Quando foi na sexta-feira, na noite de escuridão
Preparei as minhas vara, pus na cinta o meu facão
Também levei um bão reio só pra dar uma lição
Vocês veja que colosso
Fiquei na beira do poço esperando essa visão
Quando era meia-noite começou dar os trovão
Saiu de dentro do mato fazendo um baruião
Era o José Raimundo que vinha com má intenção
Era mesmo bicho feio
Mas quando ele viu meu reio saiu num disparadão
Eu então corri atrás com o meu reio na mão
E lhe dei duas reiada que até hoje tem vergão
Hoje tudo mundo pesca, pega peixe de porção
Tudo pesca sossegado
E o tal lugar assombrado acabou a assombração
vieira e vieirinha - a grande verdade
Os grandes países vão se preparando se aperfeiçoando em
armas nucleares
Aviões de caça com cargas de guerra farão nossa Terra
sumir pelos ares
Bomba de hidrogênio deturpe esta vida vão ser
explodida na luta final
Os grande cientista temendo o fracasso com suas
própria mão farão cruzar o espaço
Máquinas da morte de alcance mundial
Os navios de guerra lançarão torpedo espalhando o medo
em sua missão
Foguetes possantes em poucos segundo levarão o mundo à
destruição
O nosso planeta será destruído seremos varridos da
face da Terra
Senhor poderoso és o rei da bondade estenda sua mão
para a humanidade
Salvai o nosso mundo da terceira guerra
As grande potência não se compreendem já não mais
pretende a paz e o amor
Nessa grande guerra tudo está perdido só haverá
vencido senão vencedor
Ã? grande a ganância de muitos governo só lutam a esmo
só querendo o mal
Porém não se esqueçam que a quarque momento terão que
enfrentar o julgamento
Do Divino Mestre no juízo final.
vieira e vieirinha - ladrão de mulher
Cachorro latiu, vou aprevenir
Ladrão de muié taí
Quem tiver muié bonita
Prepare as arma que tem
Cachorro latiu de noite
Ladrão de muié laivém
Namorá muié casada
Ã? ser muito atrevido
Dá uma oiada nela
E quatro, cinco no marido
Será que ele não tem medo
Da bala do trinta no pé do ouvido?
Muita moça me namora
Pensa que eu tenho dinheiro
Mas dinheiro eu não tenho
Mas sou um rapaz faceiro
Apesar de eu ser casado
Eu pulo o corgo, eu sou sorteiro
vieira e vieirinha - rio preto
Rio Preto era um negro
Criado na sujeição
No gorpe da liberdade
Nego virou valentão
Pôs na cinta um bacamarte
Do outro lado um facão
As donzela e as casada
Nego deu perseguição
Foi na casa do Zé Leite
Zé Leite não tava lá
Achando a muié sozinha
Nego pegou a intimar
Não me aceite por visita
Que eu não vim lhe visitá
Monte aqui na minha garupa
Que eu vim é lhe buscá
A muié lhe ofereceu
Duas pataca de ouro
Só me interessa a senhora
Ã? muié, deixe de choro
Essa sua formosura
Vale mais que um tesouro
Se o Zé Leite acha ruim
Queimo pórva no seu couro
Zé Leite quando chegou
Soube do que acontecia
Foi dizê pra sua sogra
Vim entregá sua filha
Quem tratou dezoito ano
Pode tratar mais um dia
Se eu não encontrá Rio Preto
Não procuro mais família
Respondeu seus dois cunhado
Que mostrava lhe estimá
Pode ser no fim do mundo
Rio Preto vamo encontrá
O primeiro atira bem
O do meio regular
O defeito do caçula
Ã? todos os tiro não errar
Saíram os três rapaz
Vê três onça comedeira
Atoparam com Rio Preto
No meio da capoeira
Foi na primeira descarga
Rio Preto arriou bandeira
Tô ferido, rapaziada
Tô na hora derradeira
Eu vos peço, José Leite
Não me acabe de matá
Me leve pro padre Amâncio
Que eu quero confessá
A morte de Rio Preto
Fez o sertão sossegá
Acabou o pesadelo
Das família do lugá
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
vieira e vieirinha - cuiabá
Cuiabá
Chamaram eu de cuiabano por eu vir de Cuiabá
Me criei numa fazenda por nome de Corumbá
Ajustei com o fazendeiro por eu saber adomá
Na idade de quinze anos saí pro mundo a viajá
Buscar boi no Mato Grosso na serra do pantaná
Comprei um macho tordilho por nome de Curimbatá
Arreava com meu lombinho que veio de Minas Gerais
O meu calção de bombacha usava chapéu Panamá
O patrão me protegia pois era só determiná
Enjeitei bons casamento que chegaro a me ofertá
Quando eu chegava de viaje o patrão vinha me contá
Contando tantas façanhas lá no portão do currá
Me levava eu lá pra dentro lá no salão de jantá
Logo vinha a moreninha vinha me cumprimentá
Adeus como foi de viaje o que me conta de lá
O patrão me perguntou se eu queria me casá
Tem treis fia pra você escolher na qual você interessá
Te dou uma em casamento querendo eu faço desde já
Eu ficava pensativo sem eu ter o que falá
Pra mim ai, não tem escoia todas elas são iguá
Por Nelson de Campos
vieira e vieirinha - o sertão É meu prazer
A paixão me deixa triste
Mas comigo ela não pode
O sertão é meu prazer
Me advirto nos pagode
Eu vejo a perdiz piando
No capim barba de bode
Ai, vejo a onça esturrando
Que chega a tremê os bigodeFamília pra morar lá
Tem que sê família nobre
Precisa tê coração
Que com nada se comove
Eu morando no sertão
Nem que meus trabalhos dobre
Ai, eu vivo sempre contente
Nem que meu ganho não sobre
As queixada estrala os dente
Igual tiro de revólver
Mas com isto eu não me importo
Minha devoção resolve
O que mais me aborrece
É pernilongo quando morde
Ai, quando vai escurecendo
Naquelas tardes que chove
A paca pego no laço
Capivara é no forje
Pra pescar eu faço rede
Teço barba de são Jorge
Eu levo a vida cantando
Comigo ninguém se pode
Ai, só canto moda raiz
Se não tem quem me reprove
vieira e vieirinha - adeus querida
Adeus querida, eu já vou partindo
Teu rosto lindo me fez penar...
Por todo mal que você me fez
Jamais, talvez, eu torne a voltar...
Meu coração desconsolado
Sofreu calado e penou por ti...
E vem sofrendo, sempre te amando
Já desde quando eu te conheci...
Vivo sofrendo, sempre tristonho
Parece um sonho, mas não é não...
Viver assim, não posso mais
Já é demais a desilusão...
Juro querida que eu lamento
Cruel momento desta paixão...
A minha alma sofre em delírio
Este martírio do coração...
Eu vou partir para o sertão
E na solidão quero ficar...
Quero esquecer a tua maldade
A falsidade eu não vou lembrar...
Agora mesmo eu deixo a cidade
Só a saudade eu vou levar...
Adeus querida e os erros teu
Eu peço a Deus pra te perdoar...
vieira e vieirinha - festa de junho
Eu moro lá no sertão
Naquelas mata soturna
Encostado numa ilha
Bem de fronte tem uma furna
Onde canta o sabiá
Eu vejo o requitar da inhuma
Meu coração fica roxo
Que nem o cerne da gaviúna
Saudade do meu benzinho
Cada vez mais me importuna
O homem nasce no mundo
Pra sofrer tanto amargume
Quando vai escurecendo
Que o sol já perde o seu lume
Saio dar os meus passeios
Sou que nem um vagalume
Este meu viver no mundo
Muita gente tem ciúme
Mas com isto eu não me importo
Sempre foi o meu costume
Alembro e tenho saudade
Daquelas festas de junho
Que eu cantei pro meu benzinho
Com esta viola no punho
Esse nosso querer bem
Não tem falsidade arguma
Ela foi me arrespondeu
Não tem contrariação nenhuma
Vóis me ame com firmeza
E não acredita em calúnia
Por eu ser adivertido
Que a sorte pra mim não é ruim
Ai quando eu entro num salão
Ai pra cantar eu sou toruna
Afino bem minha viola
Eu sei que meu peito zune
Pra cantar com os campeonato
Este cargo nóis assume
Tirá teima de violeiro
Isto nóis tem por costume
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
vieira e vieirinha - pau cumprido e buraco fundo
A mulher do Juca tá corredeira
Ela pula a cerca e pula a porteira
A vida do Juca tá miorando
O Juca sabe e não tá importando
Pra fazer cerca é o Ze Raimundo
Faz muitas braças em pouco segundo
Pra pau cumprido buraco fundo
Zé Raimundo é destemido
Buraco fundo pra pau cumprido
Eu me companheiro nóis fumo buscar limão
Fumo na minha prima não encontremo limão
Fumo no meu cunhado encontremo um limão bão
Depois da limonada fumo na minha cunhada
O bicho que mata o homem
Mora embaixo da saia
Tem asa que nem morcego
Tem dente que nem lacraia
No meio tem uma mata
Onde o machado trabaia
vieira e vieirinha - quatro coisas
Eu mais a minha mulher fizemo uma combinação:
Eu vo no catira, ela não vai não...
Neste eu fui e ela ficou
Domingo que vem ela fica, eu vou...
O homem pra se bem homem
Quatro coisa há de sabe:
Jogá e tocá viola, roubar moça e saber le...
Tres coisa eu aprendi
Uma não pude aprende:
Toco viola e jogo truque, robo moça e não sei le...
Lá em casa tem uma pau, no gaio do pau tem um gavião
O de lá sentou no chão
Pegou o pinto e espantou o galo
E ainda deu um tombo no meu cavalo...
vieira e vieirinha - adeus ingrata
Marquei encontro com o meu benzinho
Mas a marvada não apareceu
Vortei tristonho pensando sozinho
O que será que lhe aconteceu?
Pois eu não sei aonde ela mora
Seu endereço ela não me deu
Eu vou viver eternamente triste
Porque de certo ela me esqueceu
Padece muito quem é desprezado
O coração calado é que sente
Eu digo a todos que a coisa mais triste
Ã? padecê por quem não quer a gente
Tenho certeza que da parte dela
O nosso amor acaba de ter fim
Ela não veio se encontrar comigo
Ã? só porque não gosta mais de mim
Eu vou-me embora morar num deserto
Onde ninguém não possa ver meu pranto
Lá bem distante eu vou chorar sozinho
Por esse arquém que eu adoro tanto
Somente Deus agora é testemunha
Da dor que eu sofro por aquele amor
Adeus ingrata vou partir chorando
Talvez um dia sofra a mesma dor
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
vieira e vieirinha - boiadeiro de fama
Sou boiadeiro de fama
Conheço vinte e um estados
Tenho um cavalo tordio
Puro sangue, bem treinado
Pra tocar uma boiada
Eu peço bão ordenado
No lombo do meu cavalo
Com o patrão eu falo, dinheiro adiantado
Eu carrego na garupa
Dois laço dependurados
Quem tem dois laço
Vai sempre muito bem apreparado
Eu laço boi na carreira
E dou tombo carculado
Distância de oito braça
Eu jogo meu laço de zóio fechado
Na fazendo do Rio Grande
Eu arrecebi um recado
Pra pegar um boi mandingueiro
Eu fui atende o chamado
Eu cheguei lá na fazenda
Eu tava sendo esperado
Pra pegar um boi arisco
Que bão boiadeiro não tinha pegado
Perguntaram do meu nome
Arrespondi compassado
Me chama eu de mineiro
Por onde eu tenho passado
Mas pra dizer a verdade
Eu nem sei o meu estado
Minha casa é o chapéu
Debaixo do céu eu tô bem guardado
Fui a procura do boi
Serviço bem arriscado
Levei São Jorge no peito
Eu fui bem acompanhado
Fiquei dois dias no mato
Mas trouxe o boi arrastado
Mostrei que sou positivo
Eu trouxe o boi vivo e o chifre serrado
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
vieira e vieirinha - terra de goiás
A perdiz pia no campo e o urú pia na mata
Pia a garça no varjão canta o gavião pirata
Tudo isso me judia tudo isso me martrata
Alembro daqueles tempos da noite de serenata
Quando era de madrugada que a viola tava bem arta
Alembro daqueles dia dos meus tempos de alegria
Que as mocinha me queria Adeus terra de Goiás
Tempo bão não vorta mais
Chora violinha ingrata que a minha nervosa desata
Dos fazendero graúdo sempre nóis recebe carta
Pra desempenhá um catira e qué que nóis vai sem farta
Se nóis disser que nóis vai, nóis sustenta o que nóis trata
Nóis canta em quarqué lugar de campião nóis num afasta
E a moda que nóis inventa não tem campião que arrebata
Invento moda dobrada e na linha bem trovada
campião não arranja nada
Pra cantá pra me abatê convém voceis aprendê
Voceis tem a idéia fraca sua moda não me ataca
Dia vinte de janeiro arriei a mula pirata
Passei a mão no meu trinta carsei a espora de prata
Eu fui catar numa festa catira arranca lasca
Fui cantá de campeonato que cantava por mandraca
Eu dei no cerne da arueira deixando ele na casca
Perderô o rumo da estrada que até o povo deu risada
Minhas moda são pesada foi contá pros seus parente
que meu murro é diferente
Eu surri quarqué comarca violero da sua marca
vieira e vieirinha - silêncio do berrante
â?? (Coitado do Zé Marreiro
Que já foi bão boiadeiro
E agora não é mais nada
Hoje vive aborrecido
No seu rancho escondido
Lá bem longe das boiada
Vou contar seu passado
Esse moço era casado
Com uma linda caboclinha
A cabocla era o amor
E mais linda que uma flor
Se chamava Mariquinhaâ?)
Ele transportava gado
De Goiás pra outro estado
Demorava pra vortá
Mas também quando vortava
Lá de longe ele tocava
O berrante pra avisá
Ela conhecia o toque
Sem fazer nenhum retoque
Dava um pulo no instante
E alegre ela corria
Para o lado que se ouvia
O chamado do berrante
E correndo em disparada
Pra arcançá ele na estrada
Que tamanha ansiedade!
Dava um bote que nem louca
Pra beijá ele na boca
Na loucura da saudade
E um dia ele chegando
E o berrante arrepicando
E jamais foi atendido
Apareceu uma vizinha
Que contou que a Mariquinha
Já então tinha morrido
Foi assim que ele sumiu
Nunca mais ele se riu
Desse dia por diante
Ainda guardo na memória
Não esqueço a história
Do silêncio do berrante
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
Cds vieira e vieirinha á Venda