sílvio caldas - a deusa da minha rua
A Deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho,
Que o sol num dourado sonho,
Vai claridade buscar,
Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Teu vulto que me seduz
A ruazinha modesta,
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz,
Na rua uma poça d'água,
Espelho da minha mágoa
Transporta o céu para o chão,
Tal qual o chão da minha vida
A minh'alma colorida
O meu pobre coração
Infeliz da minha amada
Meus olhos são poças d'água
Sonhando com teu olhar...
Ela é tão rica, e eu tão pobre,
Eu sou plebeu, e ela é nobre
Não vale a pena sonhar
sílvio caldas - recife cidade lendária
Eu ando pelo Recife, noites sem fim
Percorro bairros distantes sempre a escutar
Luanda, Luanda, onde está?
É alma de preto a penar
Recife, cidade lendária
De pretas de engenho cheirando a banguê
Recife de velhos sobrados, compridos, escuros
Faz gosto se ver
Recife teus lindos jardins
Recebem a brisa que vem do alto mar
Recife teu céu tão bonito
Tem noites de lua pra gente cantar
Recife de cantadores
Vivendo da glória, em pleno terreiro
Recife dos maracatus
Dos tempos distantes de Pedro Primeiro
Responde ao que eu vou perguntar
Que é feito dos teus lampiões?
Onde outrora os boêmios cantavam
Suas lindas canções
sílvio caldas - ninotchka
Naquela tarde sombria eu te vi,
E nem sei o que senti,
Naquela tarde sem me aperceber,
Eu comecei a sofrer.
Ninotchka, ninotchka,
A minha vida era tão calma,
Sem o teu olhar,
Ninotchka, ninotchka,
Agora vivo alucinado a te adorar.
Abre teus braços por deus eu te peço,
Me deixa entrar no teu peito, amor,
Ninotchka, ninotchka,
Pelos teus olhos, pelos teus beijos,
Eu morro de dor.
Abre teus braços por deus eu te peço,
Me deixa entrar no teu peito, amor,
Ninotchka, ninotchka,
Pelos teus olhos, pelos teus beijos,
Eu morro de dor....
sílvio caldas - barra funda
Barra Funda, Barra Funda,
Reduto do samba velho de guerra,
Barra Funda, Barra Funda,
É o berço do samba da minha terra.
Barra Funda, Barra Funda,
Reduto do samba velho de guerra,
Barra Funda, Barra Funda,
É o berço do samba da minha terra.
Onde houver batucada,
Cuíca, pandeiro, pastoras a cantar,
Nos desfiles das Escolas de Samba,
Barra Funda está sempre,
Em primeiro lugar.
sílvio caldas - cabelos brancos
Não falem desta mulher perto de mim
Não falem pra não lembrar minha dor
Já fui moço, já gozei a mocidade
Se me lembro dela me dá saudade
Por ela vivo aos trancos e barrancos
Respeitem ao menos os meus cabelos
brancos
Ninguém viveu a vida que eu vivi
Ninguém sofreu na vida o que eu sofri
As lágrimas sentidas
Os meus sorrisos francos
Refletem-se hoje em dia
Nos meus cabelos brancos
E agora em homenagem ao meu fim
Não falem desta mulher perto de mim
sílvio caldas - a casinha da colina
Você sabe de onde eu venho
De uma casinha que eu tenho
Fica dentro de um pomar ?
É uma casa pequenina,
Lá no alto da colina
De onde se ouve, longe, o mar
Entre as palmeiras bizarras
Cantam todas as cigarras
Sob o pó de ouro do sol,
Do beiral vê-se o horizonte
No jardim canta uma fonte
E na fonte um rouxinol.
Do jasmineiro tão branco
Tomba, de leve, no banco
A flor que ninguém colheu
No canteiro há uma rosinha
No curral uma ovelhinha
E em casa o meu cão e eu
Sobre a minha cabeceira
Minha santa padroeira
Que está sempre em seu altar
Cuida de mim se adoeço
Vela por mim se adormeço
E me acorda devagar.
Quando eu desço pela estrada
E olho a casa abandonada
Sinto ao vê-la não sei quê
Anda em tudo uma tristeza
Como é triste a natureza
Com saudade de você
Se você é minha amiguinha
Venha ver minha casinha
Minha santa e meu pomar
Que o meu cavalo é ligeiro
É uma légua só do outeiro
Chega a tempo de voltar.
Mas se acaso anoitecer
Tudo pode acontecer
Que será de mim depois ?
A casinha pequenina
Lá do alto da colina
Chega bem para nós dois.
sílvio caldas - a casinha pequenina
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu, ai ?
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu ?
Tinha um coqueiro do lado {
Que coitado de saudade {bis.
Já morreu. {
Tu não te lembras das juras, oh, perjuras
Que fizeste com fervor, ai ?
Tu não te lembras das juras, oh perjuras
Que fizeste com fervor ?
Daquele beijo demorado {
Prolongado que selou {bis
O nosso amor. {
Não te lembras, ó morena da pequena
Casinha onde te vi, ai ?
Não te lembras, ó morena, da pequena
Casinha onde te vi ?
Daquela enorme mangueira {
Altaneira onde cantava {bis
O bem-te-vi. {
Não te lembras do cantar, do trinar
Do mimoso rouxinol, ai ?
Não te lembras do cantar, do trinar
Do mimoso rouxinol ?
Que contente assim cantava {
Anunciava o nascer {bis
Do flâmeo sol. {