MELHORES MÚSICAS / MAIS TOCADAS
jairo lambari fernandes - senhora dos descampados
Senhora dos Descampados
Ouve essa prece a lo largo
Que eu rezo em frente ao fogo
Solito com meu amargo
Senhora dos Descampados, escuta aquilo que falo
Com meu olhar estendido, que já nasceu de a cavalo
Eu sou campeiro e me habito
Nesse galpão de invernada
Um posto humilde, mas donde
Deus sempre teve morada
Não sei o terço e na igreja
Não fui mais que umas três "vez"
Mas minha fé me acompanha nos trinta dias do mês
Rezo em silêncio nos campos
Na sombra de algum capão
E, embora eu não fale nada, escuta a minha oração
Livra o campeiro do tombo, do coice e do manotaço
Desvia o fogo do raio e as contra voltas do laço!
Junto a esta cruz solitária, lhe deixo velas acesas
Pra lhe pedir que não falte, nunca, bóia sobre a mesa
Trago outra cruz de Lorena, dependurada no peito
Na bendição que me guarda, em ser cristão, deste jeito
Na minha reza de campo, faltam palavras, eu sei
Mas tem a fé, verdadeira, por tudo que eu conquistei
Te faço imagem em meus olhos, te vejo plena de céu
E frente a ti, me condeno, me calo e tiro o chapéu
Embora cuide dos campos, encontra um tempo pra mim
Eu nunca perco a esperança, alçada pelos confins
Eu sei que vida da gente, tem sempre um rumo traçado
Por isso, rezo e lhe peço, proteja estes descampados
jairo lambari fernandes - buena vida
A tarde rompe em luz mansa e serena
Vida buena..
Buena vida..
O mate amarga mais esta partida
Mal a vida
Desmedida..
Saudade é rio que corre das retinas
Nublando o olhar de quem se vai
Pedindo ao tempo que não se atrase
E a volta o mês que vem me traga a paz
A paz que tem nos braços do abraço
Na luz que vem da flor do teu olhar
Num beijo de acender a madrugada
Pra um sonho que haveremos de sonhar
O teu rancho, o meu refúgio..
Vida buena..
Nestes mates madrugueiros
Buena vida
Desmedida
Vida buena
Buena vida
Desmedida
Vida buena
Buena vida...
Se vivo dia a dia é só por ti
Tu és meu limite de visão
Num verbo conjugado no presente
Amar, falar com a voz no coração
Sonhei com teu olhar beirando o rio
E um frio me acordou na solidão
E vi o teu lugar calmo e vazio
Amar, chorar a dor do coraçao
O teu rancho, o meu refúgio..
Vida buena..
Nestes mates madrugueiros
Buena vida
Desmedida
Vida buena
Buena vida
Desmedida
Vida buena
Buena vida...
jairo lambari fernandes - regalo a um trançador
Desquinando um tento baio
O minuano assobiando
Ouvi um buenas parceiro
Estranhei que alguém chegasse
Sem que o cachorro anunciasse
Se apeou e foi entrando
Os ombros meio curvados de quem a vida domara
E que nunca mais trançara
Mãos domadas pela vida
Apertei com força os calos
Juntas grossas doloridas
Só vim pra tomar um mate
E fazer uma encomenda
Quanto vale um aparelho
Pra cabeça da gateada
Sem argolas, sem floreios
Que caiba nos meus trocados
O preço é da minha alçada
Entrego no fim do inverno
Um trançador já no cerno
Que o tempo vinha judiando
Sorveu o mate de estrivo
E se mandou a la cria
Pelei um couro brasino
Flor cor de cedro queimado
Que realçasse o prateado das argolas mais bonitas
Bombas em ouro bordadas
Por espanholas malditas
Nas tiras das nazarenas
Lonca fina trabalhada
A cabeçada de doze
Oito, cabresto e bucal
Que embuçalasse um bagual
Não uma égua cansada
As rédeas de trança achar
Pra diferenciar do laço
Nas palmas cravada a marca
Já sem cabo enferrujada
Um dia a velha gateada
Se queimou naquela marca
Com os olhos marejados
Vaidoso entreguei a obra
Tinha mais dele na trança
Do que nas minhas andanças
Me ensinara aquela arte
De trançador não se cobra
De trançador não se cobra.
jairo lambari fernandes - coração do mar
Meu coração no mar
E o corpo feito em esfera
Vontade de navegar
De te ver aí, quem me dera
No afogar do meu mar
Ainda amarga a minha boca
A paixão quando desaba
Deixa a alma cega e louca
A paixão é maré cheia
Até virar maré vazante
Se fazem amor, praia serena
Ou se vai repucho adiante
Ô amada por onde andas?
Em que mar? em que onda?
Responda, pois a saudade fez eu ficar sempre de ronda {bis}
Fiquei preso nas marés
Solto em tuas lírias
Solidão vem na saudade
Uma grande armadilha
Alegria não mais veio
Foi pra outra freguesia
O vento trouxe a tristeza
Numa densa maresia
Diz o mar do coração
Calejado em tempestades
Muda o vento, muda o tempo
Volta o amor, vai-se a saudade
Refrão
jairo lambari fernandes - de alma na estrada
Parece brotar do chão a potrada num repecho
Um fronteiro afrouxa o queixo de um sogueiro malacara
Tropilha que vai para a estrada nos doze dias de tropa
E a eguada desemboca no lamaçal da mangueira
Cheira o barro da porteira e o semaneiro atropela
E afrouxa a areia da goela num sapucay debochado
O capataz distribuindo os mansos e os mal bulidos
Pra o índio cruzar entretido lidando no corredor
Por tropeiro e domador, me "gusta" tirar uma "olada"
Se ajeita as mal principiadas, se o toso volta sereno
O patrão por ser dos buenos garante a changa dobrada
Um bragado perde a doma me "exprimentando" o tutano
Se vem na volta berrando, desconfiando da cambona
Mas potro da minha doma, calçado não perde um pulo
Conhece a volta do culo e bagual não se governa
Afirmo a cana da rédea e cai sentado no sabugo
Confio na minha conta, no que sai pra carreteira
Bem na boca da porteira é que se estreita o fiador
Se cruza pra o corredor e a tropa tá conferida
Bamo de marcha batida grudando a alma na estrada
E a minha talha não desmente a saída na chegada
jairo lambari fernandes - enserenada
Se ao menos eu soubesse
Dos detalhes do teu rosto...
E um sonho me trouxesse a alegria
Aqui pro posto...
A alegria de viver num mate
Cevado por ti...
E a tristeza por querer
Bem mais do que mereço
Tua alma eu já conheço
Teu semblante eu nunca vi...
Refrão:
Quem sabe me apareça
Numa tarde de inverno
Me trazendo um beijo terno
E um sorriso de verão.
E eu te entregue num abraço
Um querer maior que tudo
E o meu rancho fique mudo
Para ouvir teu coração...
Que eu me veja em teus olhos
Na nudez da madrugada
Prá viver por ti amada
E afogar a solidão...
Imagino teu sorriso
Flor do campo enserenada
Refletindo nas aguadas
Do meu bem querer...
jairo lambari fernandes - estrela perdida
A serenata da lua
vem prateando nos varzedos
pro campo guardar segredo
das lágrimas de sereno
a noite, corpo moreno
tez que brilha ao clarão
nem um vento leva e quente
me acalanta o coração
Arrebenta minha alma
quietude de solidão
em frescas manhãs de calma
o mate puxa lembranças
sem saídas, nem andanças
só caseriando a pensar
mastigando esperanças
num talvez do seu voltar
De contar tantas estrelas
algumas nos olhos guardei
se lágrimas não brotaram
por dentro decerto chorei
Esperar é meu destino
soltando mágoas ao léu
vou sempre buscar no céu
tão rara silhueta crua
se és minha estrela nua
escondida no luzeiro
vais brotar pelo sender
em cada quarto de lua
De contar tantas estrelas...
jairo lambari fernandes - invernos para sonhar
Das invernias da pampa
Busco o calor do braseiro
E o rancho exala o cheiro
Da flor que sonhara ter
Como é lindo um bem querer
Pra quem domou corredores
Repartir mágoas e dores
Nos braços de um outro ser
Meus sonhos de peão humilde
São simples de se entender
Um ser sem ter outro ser
Ã? um andar sem destino
Ã? o mesmo que andar teatino
Na solidão dos andantes
Tal qual estrela distante
No céu do pampa sulino
Feliz do peão que regressa ao rancho
Num fim de tarde com o sol já posto
Sonhando beijar-lhe o rosto
Junto a cancela da frente
Ã? lindo o que a gente sente
Quando ela alcança o mate
São dois corações que batem
E um catre que espera quente
O que mais podéra querer
Quem tem um rancho e um amor
E sonhos ainda em flor
Que hão de frutificar
A mim basta só amar
E a vastidão dos caminhos
Um rancho um catre e carinho
E os invernos pra sonhar
Meus sonhos de peão humilde...
jairo lambari fernandes - léguas de campo
Se vão os anos e planos, de peão gaúcho e tropeiro
E o gado segue atendendo meu grito de homem campeiro
Ã? linda a vida que levo, gastando léguas de campo
par de cachoro e cavalo, relumes de pirilampo
Quem tem o campo no sangue, entende o que falo e sinto
trago a rudeza nos braços, da lida sei e não minto (Fala)
De à cavalo me garanto e quando o laço se vai
deito o corpo no gateado e a res num 'upa' já cai
Se às vezes tenho saudade, é porque nasci assim
sou do campo uma verdade e o campo parte de mim
De à cavalo me garanto e quando o laço se vai
deito o corpo no gateado e a res num 'upa' já cai
jairo lambari fernandes - natureza de vida e canto
Neste tranquito que a lo largo sou estrada
Levo os meus sonhos nesta ânsia de andar
Pelos caminhos que escolhi e me mantenho
Porque eu venho de um santo e bom lugar
Venho do campo, dos açudes e lonjuras
Das águas puras, dos arroios e vertentes
Onde o cavalo, o guarda-fogo e as enxadas
Fazem quarteadas relicárias de sua gente
Onde a vergonha tem morada e faz mais forte
Há de bom porte amizade entre os senhores
Onde o romance da tardinha dá mais sorte
E é suporte pra quem vive seus amores
Nas casas grandes com sacadas nas varandas
Dançam cirandas as folhagens e as crianças
E os meus dias têm mais vida e anoitecem
Quando uma prece faz mais viva as esperanças
O amanhecer traz o perfume e o vigor
Para o labor que planta o pão e serve a mesa
Onde se vê que o supremo criador
Fez seu amor e deu o nome natureza
jairo lambari fernandes - o muro
O muro imposto a minha infância livre
Me fez cativo no viver liberto
Prendendo os sonhos que em guri eu tive
Tornando longe o que morava perto
(Eu tinha o mundo no quintal da casa
Angico, salsos e melões maduros
Só me faltava ter um par de asas
Para ter coragem de transpor o mundo, bis)
Agora eu sei que tinha um céu aberto
E que no pátio era mais liberto
(Pois era livre pois saber sonhar bis)
E quem diria que no meu futuro
Todo passado pularia o muro
Para a poesia me fazer voar.
O muro imposto em minha infância livre
Me fez cativo no viver liberto
Prendendo sonhos que em guri eu tive
Tornando longe o que morava perto
(Eu tinha o mundo no quintal da casa
Angico, salsos e melões maduros
Só me faltava ter um par de asas
Para ter coragem de transpor o mundo, bis)
Agora eu sei que tinha um céu aberto
E que no pátio era mais liberto
(Pois era livre pois saber sonhar bis)
E quem diria que no meu futuro
Todo passado pularia o muro
Para a poesia me fazer voar.
Para a poesia me fazer voar.
jairo lambari fernandes - pra lembrar de ti
Pra lembrar de ti
Basta a solidão chegar de manso
Nesse rancho onde os mates são de magoa e dor
Eu carrego essa dor por que é só minha
E te entrego toda luz do meu amor
Pra lembrar de ti
Ainda guardo o teu cheiro na memória
Da nossa historia que aos poucos foi e se perdeu
Te espero um rancho com floreira na janela
E um beijo terno que guardei pros lábios teus
Pra voltar pra ti
Faço teu jogo, aposto tudo seja o que for
Ó minha flor,
O teu silencio dizem mais que mil palavras
E dos meus olhos chove a dor do meu amor
Pra lembrar de ti
É ver o sol nascer por trás dessas coxilhas
E as macanilhas que rebrotam entre os mal me quer
Eu te desejo feito nua e madrugada
Ó minha amada serei teu se tu quizer
Pra lembrar de ti
Cevo outro mate de silencio e solidão
para um coração que já faz tempo que anda vazio
refaço pro inverno que se achega
não quero ver o meu amor morrer de frio
jairo lambari fernandes - romance de chuva mansa
Num fim de tarde, Rosa Flor voltava ao rancho
Da mesma sanga dos seus tempos de criança
Já nem deu tempo de quarar lençóis e panos
Porque o tempo se estendeu em chuva mansa
Mariano Luna vinha ao tranco sob um poncho
De asas abertas, feito um pássaro pra o ninho
Que um tempo feio desabava mais adiante
E o rancho ainda tinha sonhos de carinho
Costeando a casa junto às frondes do arvoredo
Onde a querência é bem maior do que a infância
Um gurizito de bombacha e boina negra
Brincava quieto com seus ossos numa estância
Era por nada um tempo ruim, quem sabe chuva
As olhos mansos de um guri quase estancieiro
Com bois, ovelhas, vacas mansas e cavalos
E um sonho simples de um dia ser campeiro
Mariano Luna prendeu um grito pra o guri
Pois do seu sonho, só um grito lhe separa
Que deixou a sua estância entre resmungos
E entrou pra o rancho no seu potro de taquara
Rosa Flor olhava o tempo e um temporal
Trazendo ventos a se mostrar pela distância
E o guri de olhos abertos na janela
Cuidava a chuva alagando a sua estância
Depois o rancho escureceu, sombreando velas
E o guri adormeceu seus sonhos tantos
De ser campeiro, igual ao pai, ser domador
De ter seus bois, vacas e ovelhas nestes campos
Mariano Luna e Rosa Flor entre seus mates
Cuidavam o sono do guri dormindo ao lado
Que nem ouviram a noite escura em seus lamentos
Tamborilando a chuva mansa no telhado
Era por nada um tempo ruim, quem sabe chuva
As olhos mansos de um guri quase estancieiro
Com bois, ovelhas, vacas mansas e cavalos
E um sonho simples de um dia ser campeiro
Mariano Luna e Rosa Flor entre seus mates
Cuidavam o sono do guri dormindo ao lado
Que nem ouviram a noite escura em seus lamentos
Tamborilando a chuva mansa no telhado
jairo lambari fernandes - romance de flor e luna
Quando um dia rosa flor chegou no rancho pequeno mundo num fundão de corredor
Enxergou um pingo baio encilhado e um gaúcho com um gateado no fiador
Mariano Luna domador seguia os ventos trazendo mansos pra cambiar pelas estradas
E rosa flor filha mais moça do seu nico lavava roupa junto as pedras da aguada
Rosa flor num riso manso e buenas noite entrou no rancho com seus olhos de querer
Mariano Luna com suas pilchas já puídas disse a moça um outro buenas sem dizer, sem dizer
(Mariano Luna que tinha lua nos olhos entregou esse clarão aos olhos dela
E apagou a luz extrema que continha da outra lua que apontava na janela
A lavadeira pouco sabia das luas e ainda menos dos olhares que elas tem
E descobriu então nos olhos do andante que de amores nem as flores sabem bem)
Que de amores nem as flores sabem bem)
O domador que só sabias desses campos sabia pouco do azul que vem das flores
Mas descobriu depois de léguas de estradas que há muito tempo não cuidava seus amores
De flor e luna se enfeitou o rancho tosco pequeno mundo num fundão de corredor
Que sem saber ficou mais claro e mais silente depois que lua debruçou-se sobre a flor
Ficou a estrada sem ninguém pra ir embora e risos largos diferentes do normal
Um baio manso pastando pelo potreiro e bombachas limpas pendurada no varal, no varal
jairo lambari fernandes - se as estâncias terminarem
Se as estâncias terminarem
Restará uma nostalgia
Existiram só lembranças
Num papel em poesia.
Não haverá mais no campo
Capataz e peão posteiro
Agregados, alambradores
A cozinheira e o caseiro.
Acabarão as tropilhas
A estirpe de um domador
Silenciarão os martelos
Na mão de um esquilador.
Por isso faço meu verso
De um jeito mais racional
Estas estâncias gaúchas
Lá cumprem função social.
Pois meu povo da fronteira
Gente campeira e de terra
Traz na alma uma estância
E não bandeiras de guerra.
Se as estâncias terminarem
Será tapera a mangueira
As tropas gordas de maio
Não cruzarão mais porteiras.
Pra onde irão os changueiros
Embolsadores de lã
Guasqueiros tradicionais
Sem o sonho do amanhã.
Cds jairo lambari fernandes á Venda