- Chico BuarqueMostrar Notícias
- Aqui você curte Chico Buarque e seus Sucessos, Antigas, Novas e os Lançamentos.
- Chico Buarque canta a resiliência em single com Silvio Rodríguez
- Badi Assad revisa '35 anos musicais' em álbum em que aborda Caymmi, Chico Buarque, Gonzaguinha e Tom Jobim
- Chico Buarque avaliza álbum do grupo Escafandristas com obra do compositor
- Músicas e texto de Chico Buarque movem com precisão a remontagem de 'Gota d'água' em cena em São Paulo
- João Bosco faz feats com Jota.Pê, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tiago Iorc e Mart'nália no álbum dos 80 anos
- Chico Buarque vai à Havana gravar com o cantor cubano Silvio Rodríguez
- Chico Buarque posa com jornalista após disputar partida de futebol
- Quem ouve Chico Buarque tambem ouve: - tom jobim - músicas católicas - gonzaguinha - nana caymmi - são paulo futebol clube - silvio rodriguez
- Essa semana a música mais ouvida é canção dos olhos - Chico Buarque
clique para tocar
construção
Chico Buarque
Amou daquela vezComo se fosse a última
Beijou sua mulher
Como se fosse a última
E cada filho seu
Como se fosse o único
E atravessou a rua
Com seu passo tímido
Subiu a construção
Como se fosse máquina
Ergueu no patamar
Quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo
Num desenho mágico
Seus olhos embotados
De cimento e lágrima
Sentou prá descansar
Como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz
Como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou
Como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou
Como se ouvisse música
E tropeçou no céu
Como se fosse um bêbado
E flutuou no ar
Como se fosse um pássaro
E se acabou no chão
Feito um pacote flácido
Agonizou no meio
Do passeio público
Morreu na contramão
Atrapalhando o tráfego...
Amou daquela vez
Como se fosse o último
Beijou sua mulher
Como se fosse a única
E cada filho seu
Como se fosse o pródigo
E atravessou a rua
Com seu passo bêbado
Subiu a construção
Como se fosse sólido
Ergueu no patamar
Quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo
Num desenho lógico
Seus olhos embotados
De cimento e tráfego
Sentou prá descansar
Como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz
Como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou
Como se fosse máquina
Dançou e gargalhou
Como se fosse o próximo
E tropeçou no céu
Como se ouvisse música
E flutuou no ar
Como se fosse sábado
E se acabou no chão
Feito um pacote tímido
Agonizou no meio
Do passeio náufrago
Morreu na contramão
Atrapalhando o público...
Amou daquela vez
Como se fosse máquina
Beijou sua mulher
Como se fosse lógico
Ergueu no patamar
Quatro paredes flácidas
Sentou prá descansar
Como se fosse um pássaro
E flutuou no ar
Como se fosse um príncipe
E se acabou no chão
Feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão
Atrapalhando o sábado...
Por esse pão prá comer
Por esse chão prá dormir
A certidão prá nascer
E a concessão prá sorrir
Por me deixar respirar
Por me deixar existir
Deus lhe pague...
Pela cachaça de graça
Que a gente tem que engolir
Pela fumaça desgraça
Que a gente tem que tossir
Pelo andaimes pingentes
Que a gente tem que cair
Deus lhe pague...
Pela mulher carpideira
Prá nos louvar e cuspir
E pelas moscas bixeiras
A nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira
Que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague...